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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Meu ar, minha linda














Meu ar, minha linda


Era uma vez uma mulher que morreu...

Nada comum.

Mãe, amiga, mulher.

Tem ar, é mar, é linda a Arlinda.

Cachos, sorrisos, uma camuflada dor.

Carteira assinada nunca teve, mas teve com certeza quatro filhos que ela nunca os quis deixar.

Mas, o inseto, o medo e um diagnóstico.

O mistério, a verdade e o silêncio.

Como aceitar então a morte?

Sonhos, planos e conquistas não lhe foram dignos.

Tudo roubado. Olha os ladrões de alma aí!

Ai daquele que a conheceu e não se lembre de suas loucuras...

Mãe, amiga, mulher.

Mas também filha de uma mãe que não mais se tem e irmã de mulheres que nunca esqueceram.

Mas era linda, eta Arlinda!

Que gingado, que beleza.

Princesa da terra, rainha do meu mundo.

Razão para minhas quentes e salgadas lágrimas.

O vento, o mar, o ar.

Ar de mulher que é linda.

Mas a vida. E que vida teve essa nega?

Um festa, um adeus.

- Bença a mainha!

Um tchau nunca terminado.

Chegou a noite e Arlinda acordou.

Por uma amor inválido que nunca a realmente amou.

Por um amor desses morreu. Amou e odiou.

Uma batida na porta.

Depois gritos, palavrões e violência.

Falta de ar, o ar da Arlinda.

-Deus, cuida dos meus filhos!

E a manhã veio...

Cadê Arlinda?

Seu sorriso não foi visto, sua voz não se ouviu.

Lembro-me de ter ouvido a música: “todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou”.

Cadê Arlinda?

Logo chorei...

Cadê minha nega? cadê minha nega?

Um alicate, uma chave de fenda e uma porta.

- Tem uma moça morta aqui...

Copos quebrados, choro e dor.

Vi então seus pés gelados, sua boca e olhos entreabertos.

Cadê minha nega? Cadê mainha?

Santa? Nunca foi. Imaculada és para mim.

Foi-se na santa idade.

Um crime? Talvez.

Um inseto? Acho que sim.

Quem sabe morreu de amor a minha nega. O meu ar, o meu ar, minha linda.

Assim foi, assim é e sempre será, Arlinda.


In memorian a minha mãe Arlinda. (Narro o que me lembro que houve quando ela desapareceu e todos a procuraram e só a encontraram... bem, vocês já sabem).



Te amo mãe!


^_^ - 24/09/1966


Q_Q - 03/02/1999

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12 comentários:

Anônimo disse...

Nossa Miii, que lindo. foi vc que fez? se sim, parabéns, se não, parabéns a que fez. lindo.

Anônimo disse...

Oi Mikah, é tão sofrido e ao mesmo tempo intenso. Amei!
Beijo gata!
Déa Souza

Anônimo disse...

Adorei Mi, só quem perde uma mãe sabe q falta que faz. Por isso eu zelo pela minha. está muito bonito, muitos acontecimentos, palavras soltas, adorei, adorei!!!!!

Lu

Anônimo disse...

Caramba Mi e foi assim que aconteceu mesmo? Parece filme de suspense.
Beijo bem gostoso amiga!

Suzy Lopez

Michelle Cerqueira disse...

Sim meninas, fui eu quem escrevi isso.Eu tinha 13 anos no tempo. Não me lembro de muitas coisas, só me lembro do que eu escrevi aí.


Sinto uma falta dela... Q.Q

Anônimo disse...

poxa Chelly que lindo!!!muito intenso e profundo!!!amei d+.
bjus
Jel.

Anônimo disse...

Nossa Mi que sofrido, mas muito lindo. Meus sentimentos miga.

Naty

Michelle Cerqueira disse...

Valeu meninas, vocês sempre me colocando pra cima, amo vocês migas!!

Anônimo disse...

nossa que coisa mais linda mais cheia de graça, haha. sem noção eu ¬¬

Luana disse...

Lindo, amei!

Anônimo disse...

Nossa Mi, nem sei o que dizer...
mesmo num momento desse de tanta dor, vc consegue escrever algo de tanta beleza! N sei muito bem se devo lhe parabenizar pela escrita, mas de qualquer forma ela com certeza deve estar muito feliz pela imagem que vc guarda dela!!
Sinto muito mesmo!
Thais Braga

Michelle Cerqueira disse...

Valeeu Thai...

Eepeero q eela teenha gostado meesmo...

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